Foto: Everaldo Paixão
A Secretaria de Saúde de Camaçari (Sesau) promoveu, nesta quarta-feira (9), no Teatro Cidade do Saber (TCS), uma atualização sobre o enfrentamento das arboviroses, voltada para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE) que atuam no município. A atividade teve como objetivo fortalecer conhecimentos, alinhar estratégias e ampliar a integração entre as áreas de Atenção Primária e Vigilância em Saúde no enfrentamento à dengue, zika e chikungunya.
Ao todo, mais de 200 profissionais participaram da atividade, que contou com a abordagem de conteúdos relacionados à realidade epidemiológica do município e às estratégias de prevenção e controle das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
Para a secretária de Saúde, Rosangela Almeida, a qualificação permanente das equipes é fundamental para garantir respostas mais rápidas e articuladas. “O enfrentamento das arboviroses exige conhecimento, planejamento e integração entre os profissionais que estão diariamente nos territórios. Esta atualização permite alinhar informações, fortalecer a atuação das equipes e aprimorar as estratégias. Enfrentando um cenário de movimentos antivacina, que com muita luta estamos conseguindo vencer. Por isso, esse também é o momento de reafirmar que a gente não consegue se a população não estiver realmente com a gente, temos uma missão extremamente importante”, afirmou.
Durante o encontro, foram discutidos temas como a contextualização do cenário epidemiológico, a integração das ações de vigilância no território, além do Índice de Infestação Predial (IIP) de Camaçari e das intervenções realizadas pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).
A integração entre ACS’s e ACE’s também esteve entre os principais pontos trabalhados durante a atualização. Enquanto os Agentes Comunitários mantêm uma relação próxima e contínua com as famílias acompanhadas pela Atenção Primária, os Agentes de Combate às Endemias desenvolvem ações específicas de vigilância e controle de vetores. A articulação dessas atividades amplia a capacidade de identificar situações de risco e direcionar intervenções de maneira mais eficiente.
O coordenador do CCZ, Joselito Amorim, enfatizou a importância do uso das informações produzidas no território para orientar as ações de vigilância e prevenção. “Os indicadores epidemiológicos e entomológicos são instrumentos fundamentais para compreendermos a realidade de cada território e definirmos onde e como as equipes devem atuar. Quando transformamos essas informações em ações concretas, conseguimos tornar o trabalho de vigilância mais estratégico e efetivo”, assegurou.
Na perspectiva da Atenção Primária, a atualização também reforça o papel dos profissionais na identificação precoce de situações suspeitas, orientação das famílias e promoção de medidas preventivas. A diretora da rede de Atenção Básica Primária, Márcia Cruz, realçou que a atuação integrada contribui para aproximar ainda mais as estratégias de vigilância do cotidiano das comunidades.
“A Atenção Primária está presente diariamente nos territórios e, por isso, tem papel essencial na prevenção e no reconhecimento oportuno de situações que podem exigir uma resposta mais rápida. Esse momento de atualização é extremamente necessário e é, também, o primeiro de muitos que virão, principalmente nesse cenário atual de mudanças climáticas, com os desafio dos impactos do El Niño que já estão sendo manifestados. Outro ponto é que em Camaçari, especificamente, registramos o aumento expressivo nos números de casos de dengue, zika e chikungunya, com isso, capacitação e atualização nunca é demais”, disse.
Para quem está na linha de frente das ações de controle do Aedes aegypti, o conhecimento adquirido durante a atualização contribui diretamente para o trabalho desenvolvido nas visitas e intervenções realizadas nos bairros. Leide Santana da Silva atua há cerca de 16 anos como ACE no município. Ela destacou a importância da troca de experiências entre os profissionais.
“É importante estarmos sempre atualizados, porque o cenário pode mudar e precisamos saber como agir diante de cada situação. A troca de informações com outros profissionais fortalece nosso trabalho e nos ajuda a levar orientações mais precisas para os moradores. A população também nos ajuda, tirando cinco minutos no dia para vistoriar suas residências, podendo identificar possíveis focos do mosquito. É um trabalho integrado e precisamos contar com cada pessoa nesse enfrentamento, pois as sequelas da chikungunya, por exemplo, podem permanecer no corpo por anos”, alertou.
A iniciativa integra as estratégias da Prefeitura de Camaçari para fortalecer a vigilância em saúde e o enfrentamento das arboviroses. Com a qualificação das equipes e a integração das ações desenvolvidas no território, o município amplia a capacidade de prevenção, identificação de riscos e resposta aos possíveis cenários epidemiológicos, reforçando o compromisso com a proteção e o cuidado com a saúde da população.
Foto: Everaldo Paixão
